domingo, 22 de abril de 2018

21. O Teste dos 10 Mandamentos


Quero convidar o leitor a uma reflexão. Como você se encontra em relação aos 10 mandamentos? Você poderia com sinceridade dizer que viveu a vida toda em acordo com esses preceitos?

Vejamos por exemplo o 3º mandamento:

Êxodo 20:7 Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.
Será que nunca mencionamos o nome de Deus1 (a expressão não se limita a nomes específicos, mas a menções ao ser de Deus também) em situações levianas nas quais não necessariamente precisávamos do seu auxílio? Ou até mesmo no lugar de um xingamento? Muitas pessoas não atentam para isso, mas é blasfêmia2 trivializar o nome de Deus.

Ou o que dizer do 6º mandamento?

Êxodo 20:13 Não matarás.

Muitas pessoas se esquivam desse mandamento dizendo: “Eu nunca matei!” Mas Jesus nos ensina algo ainda mais profundo sobre esse mandamento:

Mateus 5:21-22 Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno.

Ódio e desprezo constituem violação do mesmo mandamento de “não matar”, porque o mesmo já ocorreu no coração. Embora a pessoa não tenha (por hora) a ousadia para consumar algum ato físico motivado pelo próprio ódio, aos olhos de Deus, ela já pecou. O mesmo pode ser conferido na primeira epístola de João:

1 João 3:15 Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele.
Algumas pessoas ainda podem se gabar de nunca ter cometido adultério3 (o 7º mandamento):

Êxodo 20:14 Não adulterarás.

No entanto, Jesus também nos disse:

Mateus 5:28 Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.

Bastaria olhar com desejo (luxúria) para alguém que não é o nosso cônjuge que, aos olhos de Deus, já teríamos cometido adultério.
Parece muito difícil que muitas pessoas consigam se esquivar do 8º mandamento também:

Êxodo 20:15 Não furtarás.

Ouvimos constantemente de alguém que pega “alguma coisinha” no trabalho. Ou que tenta se aproveitar da hora de conferir o troco ao estabelecer uma negociação.
Ou o que dizer da cobiça, da idolatria4 etc? O leitor já deve ter reparado que os mandamentos bíblicos são desenvolvidos nas Escrituras muito além da sua interpretação literal e óbvia. Deus se interessa na verdade, com o que ocorre no nosso coração, onde muitas vezes tentamos ocultar uma triste realidade.
Nós poderíamos seguir com vários exemplos, mas a questão é que os padrões de justiça e obediência a que estamos nos referindo não são os nossos padrões pessoais, mas os do próprio Deus! Continuaremos a mentir pra nós mesmos a respeito da nossa condição de pecadores?

1 João 1:8 Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós.

A seguir veremos o que a Bíblia tem a nos dizer sobre o que devemos fazer em relação a tudo o que foi dito anteriormente.
Resumo do Capítulo 21
  • Um convite ao auto-exame à luz dos 10 Mandamentos
  • O 3º mandamento (Ex 20:7):
      • Não tomar o nome de Deus em vão
      • Mencionamos a Deus em situações levianas?
  • O 6º mandamento (Ex 20:13):
      • Não matar
      • Odiar alguém no coração configura violação desse mandamento (Mt 5:21-22; I Jo 3:15)
  • O 7º mandamento (Ex 20:14):
      • Não adulterarás
      • Olhar com desejo para alguém que não é nosso cônjuge já é violação desse mandamento (Mt 5:28)
  • O 8º mandamento (Ex 20:15)
      • Pequenos furtos estão inclusos aqui
  • Deus olha para o nosso coração (que está cheio de pecado)
  • Os padrões de justiça que devemos seguir são os de Deus
  • Mentimos se dizemos que não somos pecadores (I Jo 1:8)

1 Deus se apresenta na Bíblia por vários nomes que revelam tanto o seu caráter quanto a sua natureza. Um breve texto a respeito se encontra no seguinte link: http://prazerdapalavra.com.br/colunistas/luiz-sayao/3889-o-significado-dos-nomes-de-deus-luiz-sayao
2 Blasfêmia é um termo usado para se referir a (1) ofender a Deus, (2) desrespeitar o que é sagrado/santo, ou (3) reinvindicar para si atributos e direitos exclusivos de Deus (como o da adoração).
3 A traição do cônjuge com outra pessoa.
4 A adoração a outros seres ou coisas no lugar de Deus, geralmente expressa através do culto à imagens de escultura.

domingo, 1 de abril de 2018

20. A Relação da Lei com o Amor


Jesus certa vez foi interrogado por um estudioso da lei de Deus:

Mateus 22:35-40 E um deles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar, dizendo: Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.
O conteúdo “da lei e dos profetas”, uma clara referência de Jesus aos Escritos do Velho Testamento, é todo dependente desses princípios morais de amor a Deus e ao próximo. Ou seja, “amar a Deus” se expressa, dentre várias maneiras, quando obedecemos os mandamentos de Deus. No caso dos 10 mandamentos, podemos notar os primeiros quatro exemplificando o “amor a Deus”, enquanto “amar o próximo”, é demonstrado nos outros seis.
Isso tudo nos leva a perceber que a Bíblia dá uma grande ênfase ao aspecto objetivo do amor. De fato, a própria palavra “amor” nas Escrituras é quase sempre associada com alguma atitude visível, como a obediência aos mandamentos de Deus:
João 14:21 Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele.
João 15:10 Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor.
Aqueles que desejam seguir a Jesus são ensinados na Bíblia a amar a todas as pessoas e até mesmo os seus inimigos. Isso lhes confere a identidade, ou o diferencial, de serem os discípulos de Jesus:
João 13:35 Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.
Mateus 5:43-44 Ouviste que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus.
A Bíblia portanto explica de maneira muito clara como podemos amar a Deus e ao nosso próximo, embora, como já temos visto anteriormente, ninguém consiga fazer isso sem o auxílio do próprio Deus. Sabendo disso, gostaria de propor um autoexame ao leitor no próximo capítulo.
Resumo do Capítulo 20
  • O conteúdo da “lei e dos profetas” é todo dependente dos princípios de amar a Deus e ao próximo (Mt 22:35-40)
  • A Bíblia dá grande ênfase ao aspecto objetivo do amor e às suas manifestações visíveis (Jo 14:21; Jo 15:10)
  • Jesus ordenou que seus discípulos amassem a todos, inclusive aos inimigos (Jo 13:35; Mt 5:43-44)
      • Isso lhes confere a sua identidade essencial
  • A Bíblia explica como podemos amar a Deus e ao próximo
      • Não podemos fazer isso sem a ajuda de Deus