sexta-feira, 24 de novembro de 2017

13. Salvos de Quê? (Parte 2)

V. A “morte espiritual”:
Outra figura para representar a incapacidade espiritual do homem é a da “morte”:
Efésios 2:1 E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados,
A morte espiritual se refere à corrupção da natureza do homem no seu estado mais essencial, chegando ao ponto de inclinar todas as suas escolhas, atitudes e pensamentos para o mal, e isso, desde o seu nascimento:
Gênesis 6:5 E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente.
Salmos 51:5 Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe.
Terrível é o estado do homem! Incapaz de até mesmo compreender e aceitar as verdades de Deus. Não admite seu estado de queda, sua necessidade de redenção e que esta última só poderia ser realizada em Jesus Cristo!
VI. A morte física:
A Bíblia nos informa que a morte em todos os seus aspectos, (doenças, envelhecimento, males psíquicos, cansaço etc.) surge como consequência do já mencionado pecado original da humanidade1. A princípio a morte física não era, nem os demais males que a acompanham, um fim certo e necessário à existência humana. O homem desfrutava de íntima e constante comunhão com o criador2. Mas após a sua desobediência3, o homem passou a sofrer as consequências físicas do juízo de Deus sobre o pecado:
Gênesis 3:17-19 E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás.
VII. As consequências práticas do pecado:
A Bíblia revela, o que também é corroborado pela experiência comum, que nossas atitudes pecaminosas ferem a nós e ao nosso próximo, bem como que algumas delas, os crimes, podem levar à punição por parte das autoridades seculares, de maneira que não é sábio se envolver com a prática do pecado. De fato, há toda uma literatura sapiencial (de sabedoria) na Bíblia alertando os homens a esse respeito:
Provérbios 11:19 Como a justiça encaminha para a vida, assim o que segue o mal vai para a sua morte.
Romanos 13:3-4 Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a potestade? Faze o bem, e terás louvor dela. Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal.

VIII. O domínio de satanás:
A Bíblia nos fala sobre a existência de seres maus, reconhecidamente poderosos e influentes que, em rebeldia ao criador, militam contra os filhos de Deus, perseguindo-os e levando-os ao pecado. Estes seres são conhecidos pelo nome de “demônios” e eles servem ao seu mestre conhecido por “satanás”, ou, “diabo”4.
A Bíblia também nos diz que, aquele que ainda não foi alcançado pelo Evangelho de Cristo, consciente ou não, vive sob o domínio de satanás. E por consequência acaba contribuindo com os seus planos:
I João 5:19 Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno.
I Timóteo 2:24-26 E ao servo do Senhor não convém contender, mas sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor; Instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade, E tornarem a despertar, desprendendo-se dos laços do diabo, em que à vontade dele estão presos.
Enfim, o apóstolo Paulo aponta que fé no evangelho é a única maneira de se ver livre do pecado e de suas consequências temporais e eternas. Mas sabemos pela Bíblia também que salvação não significa apenas ser liberto do pecado, mas também desfrutar de uma série de benefícios da parte de Deus. O que veremos no próximo capítulo.
Resumo do Capítulo 13
  • A salvação em Cristo livra o povo de Deus das consequências do pecado
  • Consequências do pecado (além da ira de Deus):
    1. Culpa pelo pecado:
      • Subjetiva/psicológica (Gn 3:9-11)
      • Objetiva: Dívida legal (Ef 1:7; Cl 2:13)
    2. Depravação moral (Rm 1:24; Fp 2:15)
    3. Escravidão do pecado (Jo 8:34; Rm 6:20)
    4. Cegueira espiritual” (Rm 3:10-11; Jo 3:3; I Co 2:14)
    5. Morte espiritual” (Ef 2:1; Gn 6:5; Sl 51:5)
    6. Morte física (Gn 3:17-19)
    7. Consequências práticas (Pv 11:19; Rm 13:3-4)
    8. Domínio de satanás (I Jo 5:19; I Tm 2:24-26)

1 Explicação no capítulo 6.
2 Conferir o relato da criação em Gênesis 1 e 2.
3 Conferir o relato da queda em Gênesis 3.
4 Consulte uma boa teologia sistemática para aprofundamento no tópico de demonologia. Para artigos recomendamos: www.monergismo.com

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

13. Salvos de Quê? (Parte 1)

                 A essa altura já deve ter se tornado óbvio que se não fosse pela salvação oferecida por Deus em Cristo Jesus, as pessoas a quem Paulo se refere teriam sofrido seríssimas consequências por conta do seu pecado.
Podemos destacar, além da ira de Deus que já mencionamos1, as seguintes consequências do pecado na humanidade2:

I. A culpa resultante do pecado, que se manifesta de duas formas:
A) Subjetivamente, ou psicologicamente, em nosso sentimento de vergonha e medo de Deus, como podemos ver ilustrado na história da queda do homem em Gênesis 3:

Gênesis 3:9-11 E chamou o Senhor Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás? E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me. E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses?
B) Objetivamente, em nossa dívida legal para com Deus:

Efésios 1:7 Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça,
Colossenses 2:13 E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas.

Ou seja, nosso problema não é só o fato de nos sentirmos envergonhados pelas coisas erradas que praticamos, pensamos, ou quando nos omitimos de fazer o bem. Embora isso seja um problema, existe de fato uma dívida legal3, um atentado contra a lei moral de Deus, que como vimos, é perfeitamente santo e justo e portanto, pretende punir aquele que procede de forma errada.
II. A depravação moral:

Romanos 1:24 Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si;
Filipenses 2:15 Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo;

A prática do pecado representa uma degradação do padrão moral original da criação. Ao praticarmos aquilo que Deus condena, nos “sujamos” no lamaçal do pecado e muitas vezes isso leva a uma desobediência ainda pior como consequência. Não é difícil observar isso na humanidade em geral4, como também em nossas próprias vidas, percebemos que o pecado tem uma tendência de chamar ainda mais pecado.

III A escravidão do pecado:

João 8:34 Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado.
Romanos 6:20 Porque, quando éreis servos do pecado, estáveis livres da justiça.

A Bíblia nos alerta sobre o efeito escravizador do pecado. Se mantivermos algum pecado por hábito, é possível que ele chegue até mesmo a dominar a nossa própria vontade, ao ponto de não conseguirmos parar de praticá-lo a não ser que consigamos ajuda sobrenatural. O leitor já parou para pensar em quantas coisas pratica, que parecem não ser tão voluntárias como inicialmente aparentam? Ou já tentou fazer o que é certo segundo os padrões de Deus, mas no fim das contas acabou desistindo porque a própria vontade ou o arranjo das circunstâncias pareceu favorecer outra forma de agir?

IV. A “cegueira espiritual”:

Romanos 3:10-11 Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus.
João 3:3 Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.

A Bíblia usa a metáfora da “cegueira” para se referir à ignorância do homem em relação às coisas do Espírito de Deus:

I Coríntios 2:14 Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.
Jesus chega a dizer5 que seria preciso que um homem nascesse de novo para sequer ver, ou contemplar o reino de Deus.6

1 Consulte o capítulo 7.
2 O que segue não pretende ser uma lista exaustiva das consequências do pecado, mas fornece um panorama abrangente de como a desobediência a Deus e a ruína espiritual prejudicam a humanidade.
3 Há vezes que a culpa subjetiva está presente, mesmo não havendo culpa objetiva de acordo com a lei de Deus. Isto pode ser resultado de informação equivocada, conceitos sem embasamento promovidos pelos outros, ou até mesmo ideias fabricadas pela própria imaginação da pessoa. Há outros casos em que a culpa subjetiva está ausente e a objetiva presente. Isso pode indicar insensibilidade, indiferença ou até mesmo sociopatia em casos mais extremos. O ideal seria a presença da culpa subjetiva apenas quando a culpa objetiva se faz presente.
4 Paulo discorre sobre a depravação geral da humanidade em sua epístola aos Romanos no capítulo 1 (versículo 18 a 32).
5 Como exposto em João 3:3 logo acima.
6 Falaremos sobre o “nascer de novo” no capítulo 15.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

12. Pecados Passados e a Graça de Deus

No versículo seguinte de nossa passagem Paulo se humilha afirmando que não é digno do seu chamado para ser apóstolo do Senhor Jesus porque, antes de se converter, Paulo perseguiu a igreja de Deus:
I Co 15:9 Pois eu sou o menor dos apóstolos, que nem sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a igreja de Deus.
Paulo foi anteriormente um fariseu1 que via no emergente movimento cristão uma ameaça à lei de Deus e à paz da nação de Israel, na época, sob o domínio romano. Por conta de sua formação, considerava absurda a ideia de um homem ressuscitar antes do juízo final de Deus (esse posicionamento assumido por Paulo era recorrente entre os judeus no seu tempo). Agora, após sua conversão, ele mesmo argumenta da importância da ressurreição de Jesus Cristo para a fé cristã.
(conferir: I Coríntios 15, versículos de 12 a 23)
Além disso, antes de abraçar o cristianismo2, Paulo, também conhecido por Saulo3, entendia que o crescimento do grupo dos cristãos significava um abandono proporcional das leis e costumes judaicos, o que o levou a empreender várias excursões onde, com autorização das lideranças judaicas e romanas, localizava e prendia os seguidores de Jesus.
Ele prossegue testemunhando que agora trabalha incansavelmente pela Igreja de Cristo, até mesmo compartilhando que excedeu os seus companheiros de pregação em seus esforços (os mesmos mencionados como testemunhas da ressurreição no trecho), mas reconhece que isso é fruto somente do favor imerecido (graça) de Deus:
I Co 15:10 Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus que está comigo.
O trecho termina com Paulo afirmando que, seja pela própria pregação, ou a das pessoas anteriormente mencionadas, os Coríntios creram na mensagem do evangelho.
I Co 15:11 Então, ou seja eu ou sejam eles, assim pregamos e assim crestes.
O próprio apóstolo Paulo então testemunha da fé das pessoas a quem endereçou a carta. O que está diretamente relacionado com a salvação no começo do trecho, cujo significado exploraremos um pouco mais nos próximos dois capítulos.

Resumo do Capítulo 12
  • Paulo não se considerava digno de ser chamado apóstolo porque perseguiu os cristãos no passado (I Co 15:9)
  • Antes, como fariseu, Paulo encontrava pelo menos duas dificuldades para aceitar a fé cristã:
    1. Alguém ressuscitar antes do juízo final de Deus (agora ele defende essa doutrina em I Co15:12-23)
    2. Entendia que o crescimento da fé cristã levava a um proporcional abandono das leis e costumes judaicos
  • A conversão de Paulo se deu após uma incursão à cidade de Damasco para prender os cristãos (At 9:1-18)
  • Saulo era o nome judaico de Paulo, enquanto “Paulo” era o seu nome romano, pois adquirira cidadania romana (At 13:9 e At 16:37-38)
  • Já convertido, Paulo afirma que, pela graça de Deus, excedeu em esforços os seus companheiros de pregação (I Co 15:10)
  • Paulo afirma que os coríntios creram na mensagem do Evangelho, seja por sua própria pregação, ou pela de seus companheiros pregadores (I Co 15:11)

1 Os fariseus foram um grupo de judeus que devotava sua vida ao estudo e divulgação da Torá (o equivalente aos cinco primeiros livros das Bíblias atuais, também chamado de “Pentateuco”) bem como dos demais livros do Velho Testamento. Jesus criticou duramente sua conduta hipócrita (conferir Mateus 23) e eles perseguiram implacavelmente os cristãos, daí a conotação popular pejorativa do termo atualmente.
2 A conversão de Paulo ao cristianismo se deu durante uma incursão à cidade de Damasco, na antiga Síria, para prender os cristãos. No meio do caminho, o Senhor Jesus, ressuscitado, apareceu em visão a Paulo e o questionou sobre o porquê de ser perseguido por ele. Paulo ficou cego logo depois disso, até que Deus enviou seu servo Ananias para orar por ele, e assim, Paulo recobrou sua visão e abraçou a fé cristã. (conferir Atos 9:1-18)
3 O nome Saulo é hebraico e Paulo é um nome romano, pois ele havia adquirido a cidadania romana (conferir Atos 13:9 e Atos 16:37-38)

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

11. A Ressurreição de Cristo

Voltando a nossa passagem em Coríntios, o apóstolo prossegue na sua apresentação do Evangelho:

I Coríntios 15:4 que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras;

Ele nos fornece um dado histórico importante, que Jesus, após falecer, teve o seu corpo sepultado.1 Mas a história não terminou aí! No terceiro dia após sua morte, Jesus, pelo poder de Deus, voltou à vida, ressuscitou! Paulo fornece a seguir uma lista de pessoas que testemunharam aparições de Jesus depois de ter ressuscitado:

I Coríntios 15:5-8 que apareceu a Cefas, e depois aos doze; (6) depois apareceu a mais de quinhentos irmãos duma vez, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormiram; (7) depois apareceu a Tiago, então a todos os apóstolos; (8) e por derradeiro de todos apareceu também a mim, como a um abortivo.

Essa ressurreição por sua vez teve um significado atribuído por Deus, que ressuscitou Jesus para vindicar (exigir o reconhecimento) a autenticidade da vida, obra e justiça de seu Filho:

Romanos 1:4 Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dentre os mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor,
Além disso, a ressurreição foi realizada para a justificação daqueles que tiveram seus pecados expiados na morte de Cristo:

Romanos 4:25 O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação.

A justificação é o ato legal da parte de Deus de imputar (“colocar na conta”) a justiça da vida, obra e ressurreição de Cristo aos mesmos que Paulo menciona no trecho. Os teólogos chamam isso de “A Terceira Grande Imputação”. O indivíduo “toma posse” desse benefício através da fé:

Romanos 5:1 Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo;

A ressurreição era portanto, a prova de que o sacrifício de Jesus pelo seu povo foi aceito por Deus e que essas pessoas estavam perdoadas de todos os seus pecados.

Resumo do Capítulo 11

  • Jesus foi sepultado (Jo 19:38-42) e ressuscitou no terceiro dia (I Co 15:4)
  • Várias pessoas testemunharam aparições de Jesus após sua ressurreição (I Co 15:5-8)
  • A Ressurreição serviu para:
    1. Deus vindicar a autenticidade da vida, obra e justiça do seu filho Jesus (Rm 1:4)
    2. A justificação do povo de Deus (Rm 4:25)
  • Justificação” significa Deus imputar (“colocar na conta”) a justiça de Cristo ao seu povo
  • A Justificação é chamada também de “A Terceira Grande Imputação”
  • O indivíduo toma posse desse benefício pela fé (Rm 5:1)
  • A Ressurreição de Jesus Cristo prova que:
    1. O Sacrifício de Cristo foi aceito por Deus Pai
    2. O povo de Deus teve os seus pecados perdoados

1 Conforme registrado no Evangelho de João (conferir João 19:38-42).

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

10. Segundo as Escrituras

Ainda no final do versículo 3 de I Coríntios 15 e adiante, vemos que a mensagem do Evangelho é “segundo as Escrituras”, ou seja, em acordo com a profecia, simbolismo e doutrina das “Escrituras”, a saber, a Palavra de Deus, naquela época, consistindo apenas do Velho Testamento em nossas Bíblias atuais:
I Coríntios 15:3 Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras;
Um exemplo de profecia que foi cumprida na morte de Jesus e que Paulo provavelmente tivesse em mente seria a profecia de Isaías no capítulo 53, no versículo 5:
Isaías 53:5 Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados
O profeta Isaías viveu por volta de 700 anos antes de Cristo e recebeu de Deus informações a respeito do que aconteceria a Jesus muito tempo depois. Ele também recebeu de Deus informação a respeito de qual seria o significado e as implicações desses eventos.
Um exemplo de simbolismo apontando para a expiação de Cristo, foi o sistema de sacrifícios de animais para a expiação dos pecados do povo de Israel. Havia a figura do sacerdote que degolava o cordeiro e espalhava o sangue sobre o altar, para perdão dos pecados do povo:
Levítico 4:2-3 Fala aos filhos de Israel, dizendo: Quando uma alma pecar, por ignorância, contra alguns dos mandamentos do Senhor, acerca do que não se deve fazer, e proceder contra algum deles; Se o sacerdote ungido pecar para escândalo do povo, oferecerá ao Senhor, pelo seu pecado, que cometeu, um novilho sem defeito, por expiação do pecado.
No Velho Testamento não faltam exemplos para ilustrar o que Cristo faria pelo seu povo. Mas a obra de Jesus não terminou em sua morte, como veremos a seguir.
Resumo do Capítulo 10
  • O Evangelho é de acordo com a (1) profecia, (2) simbolismo e (3) doutrina das Escrituras (I Co 15:3)
  • As Escrituras (ou Palavra de Deus) consistiam apenas do Velho Testamento na época de Paulo
  • Um exemplo de profecia: Isaías 53:5
    1. Isaías viveu 700 anos antes de Cristo
    2. Recebeu de Deus informações sobre a obra de Jesus, qual o seu significado e quais as suas implicações
  • Um exemplo de simbolismo: o sistema sacrificial do Velho Testamento para perdão dos pecados (Lv 4:2-3)

domingo, 1 de outubro de 2017

9. Expiação


No terceiro capítulo, mencionamos a doutrina daexpiaçãoque afirma que, a pena, ou o castigo que justamente mereciam os pecadores mencionados na passagem de I Coríntios 15, foi sofrido e pago pelo sacrifício de Cristo, que morreu na cruz no lugar deles. Como escreveu também o apóstolo Pedro:
I Pedro 3:18 Porque também Cristo morreu uma só vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; sendo, na verdade, morto na carne, mas vivificado no espírito;
Romanos 5:8 Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.
Jesus Cristo, o Filho de Deus (a segunda pessoa da Trindade), veio ao mundo (assumindo uma natureza humana ao nascer, mas não abandonando sua divindade), viveu uma vida perfeita diante do seu Pai celestial, obedecendo a todos os seus mandamentos e, tendo exercido um ministério de pregação e de milagres, foi, por fim, acusado injustamente, castigado e executado em uma cruz pelas autoridades da sua época.1
Essa execução no entanto, não foi somente resultado do intento de homens maus (o que de fato acabou sendo), mas foi também planejada e orquestrada pelo próprio Deus que entregou o seu Filho para morrer no lugar de pecadores:
Atos 2:22-23 Homens israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis; A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos;
João 3:16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Não há mais, portanto, uma condenação, um castigo da parte de Deus reservado para os pecadores, escolhidos de Deus, em Cristo, e que creem no Evangelho, porque Jesus sofreu e morreu no lugar deles, satisfazendo portanto, tanto a justiça, quanto o amor de Deus, como diz o apóstolo Paulo em outra epístola:
Romanos 8:1 Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito.
Note-se que essa condição (sem condenação) é exclusiva daqueles que estão “em Cristo”. Veremos mais a frente que o estar em Cristo, ou, unido a Cristo, é algo que só pode ser realizado por Deus e aqui há muitos detalhes importantes, mas, pelo menos, pudemos perceber até agora que, a fé no Evangelho, na vida e obra de Jesus, bem como em todo o seu significado, é um elemento essencial para que alguém seja unido a Cristo e receba os benefícios da sua obra de salvação.
A Expiação também é reconhecida pelos teólogos como A Segunda Grande Imputação”. Ou seja, os pecados das pessoas mencionadas ali por Paulo foram “colocados na conta” de Cristo e pagos em seu sofrimento e morte na cruz.

Resumo do Capítulo 9
  • Expiação: a pena que mereciam pecadores foi paga/sofrida por Cristo (I Pe 3:18; Rm 5:8)
  • Jesus Cristo (a segunda pessoa da Trindade):
    1. Assumiu uma natureza humana
    2. Viveu uma vida perfeita e sem pecado
    3. Pregou e realizou milagres
    4. Foi acusado injustamente, castigado e executado em uma cruz
  • A morte de Cristo foi planejada por Deus
(At 2:22-23; Jo 3:16)
  • Não há mais condenação para os que estão “em Cristo” e creem no Evangelho (Rm 8:1)
  • A Expiação é chamada de “A Segunda Grande imputação”

1 Esse é basicamente um resumo do conteúdo dos Evangelhos que iniciam o Novo Testamento: Mateus, Marcos, Lucas e João. É extremamente recomendado ler esses quatro livros com bastante atenção.