domingo, 4 de novembro de 2018

28. O que devemos fazer agora? (Parte 2)

Mesmo fazendo parte de uma igreja local séria, devemos atentar para a manutenção da nossa vida espiritual individual. Há algumas práticas que contribuem para isso e que nos levam ao crescimento1. Neste capítulo falaremos um pouco sobre uma das mais importantes:

A Leitura da Bíblia

A busca por conhecer a Palavra de Deus traz uma série de benefícios para a vida do cristão. Destacamos a princípio que ela é o instrumento de Deus para manter e até mesmo aumentar a nossa fé:

Romanos 10:17 De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.

A Palavra de Deus é o nosso alimento espiritual:

Mateus 4:4 Jesus respondeu: "Está escrito: ‘Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus’".

É através da leitura da Bíblia que somos informados da vontade de Deus para as nossas vidas, descobrimos a respeito da salvação eterna e podemos progredir verdadeiramente em nosso conhecimento das coisas espirituais:

2 Timóteo 3:14-17 Quanto a você, porém, permaneça nas coisas que aprendeu e das quais tem convicção, pois você sabe de quem o aprendeu. Porque desde criança você conhece as sagradas letras, que são capazes de torná-lo sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra.

Ela também contribui para “limpar” a nossa mente de coisas ruins, preencher a nossa alma de bons pensamentos relacionadas a Deus, sendo também a chave para que o cristão dê bons frutos. É esperado que o cristão constantemente renove a sua mente através da Palavra de Deus para que não se conforme ao modo de pensar e agir do mundo e para que possa experimentar cada vez mais profundamente a vida cristã:

João 15:1-3 "Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim, não dá fruto, ele corta; e todo que dá fruto ele poda, para que dê mais fruto ainda. Vocês já estão limpos, pela palavra que lhes tenho falado.
Romanos 12:2 E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.

Mesmo sabendo disso tudo, alguém pode se perguntar: Ler a Bíblia? Como? Quanto? Com que frequência? O leitor descobrirá com o tempo que há muitas maneiras de fazê-lo, visando objetivos diferentes. Por exemplo, pode-se fazer uma leitura da Bíblia por inteiro2 para gerar uma visão panorâmica do seu conteúdo. Também é possível estudar com mais profundidade um livro específico, ou estudar um tópico teológico que passará por diversos livros. A princípio3, recomenda-se a leitura dos quatro evangelhos4: Mateus, Marcos, Lucas e João. Quanto a questão do tempo, é recomendável que se leia o quanto for possível. Costuma-se ler pela manhã, nas horas vagas durante o dia, de noite antes de dormir, nas reuniões cristãs etc.
É também saudável alternar a leitura dos capítulos da Bíblia com literatura cristã séria5.
No próximo capítulo daremos atenção à outra prática essencial na vida do cristão: a oração.

Resumo do Capítulo 28

  • Devemos cultivar nossa vida espiritual individualmente através da Leitura da Bíblia:
    • Para manter e aumentar a nossa fé (Rm 10:17)
    • Ela é nosso alimento espiritual (Mt 4:4)
    • Nos leva a conhecer as verdades espirituais relacionadas ao que Deus deseja, à salvação eterna etc. (2 Tm 3:14-17)
    • Limpa a nossa mente e é essencial para que o cristão frutifique (Jo 15:1-3; Rm 12:2)
    • Há várias maneiras de ler a Bíblia:
      • Exemplos: leitura panorâmica, leitura de um livro específico, estudo de um tópico teológico etc.
      • Recomendação: leitura dos quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João)

1 Há algumas práticas espirituais que fogem aos objetivos deste livro, mas que o leitor poderá se interessar de praticar no futuro, como o jejum, o exercício dos dons espirituais, a preparação de pregações e estudos bíblicos etc.
2 Há um excelente plano de leitura nesse estilo, no seguinte link:
http://voltemosaoevangelho.com/blog/wp-content/uploads/2011/12/plano_de_leitura_biblica_2_v4.pdf
3 Em caso de dúvida, entre em contato: israeltandrade@hotmail.com
4 Costuma-se começar pelo evangelho de João.
5 Já foram feitas várias recomendações a esse respeito nos capítulos anteriores. Os ministros da igreja local também farão indicações de livros. De qualquer maneira, recomendo enfaticamente os autores indicados no site monergismo (www.monergismo.com), que inclusive dispõe de livros e artigos gratuitos para download legalmente.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

27. O que devemos fazer agora? (Parte 1)

Se o leitor já possui a intenção de ser um seguidor de Cristo, possivelmente pairem algumas dúvidas em sua mente sobre como proceder na vida cristã. Convém mencionar que outros já se indagaram a esse respeito antes:

Atos 2:37 E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, homens irmãos?

A primeira coisa que a Bíblia nos informa a esse respeito tem a ver com o nosso arrependimento e testemunho de nossa conversão:

Atos 2:38 E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo;

Já falamos a respeito do arrependimento, tanto em sua dimensão interna (o reconhecimento do pecado) quanto externa (o abandono das práticas pecaminosas). Mas note que o trecho acima nos apresenta um novo elemento, o batismo, sobre o qual discorreremos um pouco.
O batismo é o ato simbólico da iniciação do cristão na fé, consistindo em aplicar água ao fiel.1 Ao participar do ato, o crente testemunha ao mundo da sua conversão e sujeição ao Senhor Jesus. Também, de que o crente morreu para o pecado e ressuscitou para uma nova vida em Cristo:

Romanos 6:3-4 Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.

É lógico que ninguém poderia batizar a si mesmo, o que nos leva necessariamente a importância de se fazer parte de uma comunidade cristã, uma igreja local, onde, espera-se, sejam observados os mandamentos bíblicos para a reunião dos crentes:
  1. A correta administração das ordenanças2 (o batismo e a ceia):
Mateus 28:19 Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
Lucas 22:19-20 E, tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós.
Mateus 26:26-27 E, quando comiam, Jesus tomou o pão, e abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo. E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lho, dizendo: Bebei dele todos;

Enquanto o batismo simboliza a entrada do fiel na comunhão cristã, a ceia simboliza a sua permanência nela e a memória do sacrifício de Jesus. Mas além da correta administração das ordenanças, é necessário que a igreja local apresente:
  1. A pregação fiel da Palavra de Deus e o esforço para obedecê-la3:
2 Timóteo 4:1-2 Conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino, Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina.
Tiago 1:22 E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.

Se o leitor deseja assumir a sua vida cristã e ser coerente com os mandamentos de Deus para a sua vida, procure uma comunidade de fé onde esses aspectos sejam levados a sério.
Note que neste capítulo enfatizamos as questões comunitárias da vida cristã. No próximo capítulo falaremos sobre as práticas individuais do cristão/crente.

Resumo do Capítulo 27
  • Ao assumir a vida cristã podemos nos encontrar perguntando o que devemos fazer (At 2:37)
  • Dentre as primeiras coisas que a Bíblia nos indica temos o arrependimento e o batismo (At 2:38)
  • O batismo é um ritual de iniciação na fé cristã que dá testemunho:
      • Da conversão do fiel e do senhorio do Senhor Jesus
      • Da morte para o pecado e de uma nova vida em Cristo (Rm 6:3-4)
  • É importante participar de uma comunidade cristã onde sejam corretamente observados:
        1. As ordenanças: o batismo e a ceia
(Mt 28:19; Lc 22:19-20; Mt 26:26-27)
      • A ceia é um ritual de permanência na comunhão e um memorial do sacrifício de Jesus
    1. A pregação da Palavra de Deus e a sua obediência
(II Tm 4:1-2; Tg 1:22)

1 As diversas tradições cristãs têm argumentado a favor de diferentes perspectivas sobre o modo (imersão total na água ou derramar um pouco de água), o significado, e o candidato adequado ao batismo (apenas crentes ou filhos de crentes também). Mantemos aqui uma postura conhecida como imersionista (todo o corpo mergulhado na água) e credobatista (o candidato adequado é aquele que professa a fé em Jesus). A favor desse posicionamento, a princípio, recomendamos a seguinte série de artigos do irmão Clovis Gonçalves:
e
http://www.cincosolas.com.br/2010/04/por-que-nao-sou-pedobatista-1.html
A discussão é bem extensa e se o leitor desejar, entre em contato por e-mail (israeltandrade@hotmail.com) que posso sugerir livros e recursos de mídia a respeito. Como por exemplo:
http://oestandartedecristo.com/data/OMaravilhosoSignificadodoBatismoJohnPiper.pdf
2 “Ordenança” é o termo que alguns teólogos usam para se referir aos dois rituais ordenados por Jesus aos seus discípulos: a santa ceia e o batismo.

3 É importante observar que é virtualmente impossível encontrar uma comunidade cristã onde tudo isso seja feito de maneira perfeita. No entanto, isso é algo que deve ser buscado na igreja local e considerado seriamente antes de se associar a uma comunidade de fé. Caso encontre dificuldade em encontrar uma comunidade cristã séria, entre em contato por e-mail: israeltandrade@hotmail.com Será um prazer poder ajudar.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

26. Nossa Jornada Até Aqui

Conferimos na Bíblia, a Palavra de Deus (também chamada de “as Escrituras”), que só há um Deus, que é o criador de todas as coisas, que é santo, justo e bom. Consistindo eternamente de três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Vimos também que desde o princípio, a humanidade tem pecado e rejeitado os caminhos de Deus, o que tem consequências desastrosas.
Fomos avisados do juízo final de Deus e de que Ele pretende punir os pecadores eternamente no inferno. Mas também vimos a respeito da sua bondade e misericórdia, ao enviar o seu eterno Filho Jesus Cristo, para morrer no lugar de pecadores.
Agora, Deus comanda que todos se arrependam de seus pecados e creiam no Evangelho (as boas novas) da graça de Deus (o seu favor imerecido) em expiar o pecado do seu povo pelo sangue precioso do seu Filho Jesus. Prometendo Deus que, onde houver arrependimento e fé no Evangelho, ali haverá salvação. Não há necessidade de acrescer obras de nenhuma espécie para alcançar mérito diante de Deus e obter a salvação. De fato, fazê-lo, seria insultar a obra de Cristo e incorrer em condenação.
Para que possamos crer devemos sofrer uma transformação, feita por Deus, a qual a Bíblia chama de “novo nascimento”, ou “regeneração”, na qual nos é infundida vida espiritual. Nisso, estamos totalmente à mercê do amor e da graça de Deus, mas note que ao mesmo tempo, não há melhor garantia para a nossa salvação do que o caráter, o poder e a bondade do Senhor.
Ser salvo, significa ser liberto, resgatado do pecado e de todas as suas consequências e, por fim, declarado inocente (pelos méritos de Jesus somente) quando Deus vier julgar o mundo.
Aquele que é salvo é feito filho de Deus e passa a ser habitação do Espírito Santo, que santificará a pessoa progressivamente à semelhança do Senhor Jesus.
Espero que a leitura do livro esteja sendo proveitosa espiritualmente para o leitor. Que se não conhecia a respeito do Evangelho, que possa nele crer e ser salvo pela graça de Deus. E se já conhecia o Evangelho, que o leitor possa ter sido edificado em sua comunhão com Deus.
Seja qual for o caso, nos próximos capítulos falaremos sobre algumas questões bem práticas sobre como vive um cristão.
Resumo do Capítulo 26
  • A Bíblia nos diz que só há um Deus:
    1. Criador, santo, justo e bom
    2. Consiste de três pessoas
      • Pai
      • Filho (Jesus Cristo)
      • Espírito Santo
  • Desde o princípio a humanidade peca rejeitando os caminhos de Deus, o que gera consequências desastrosas
  • Deus preparou o juízo final que resultará na punição eterna de pecadores no inferno
  • Deus, que é bondoso e misericordioso, enviou seu Filho Jesus para morrer no lugar de pecadores
  • Deus comanda que todos se arrependam e creiam no Evangelho:
    1. Boas novas da graça de Deus em expiar o pecado do seu povo pelo sangue de Jesus
    2. Ele promete que salvará aquele que se arrepender dos pecados e crer no Evangelho
    3. Não há necessidade de obras para nos salvar (seria um insulto à obra de Cristo)
  • Para que possamos crer precisamos nascer de novo (regeneração) e receber vida espiritual
      • Estamos à mercê de Deus nessa questão, o que é excelente para nós, visto que Deus é perfeito em caráter, poderoso e bom
  • Ser salvo significa:
    1. Ser liberto/resgatado do pecado e suas consequências
    2. Ser declarado inocente quando Deus vier julgar o mundo
  • O salvo é feito filho de Deus e se torna habitação do Espírito Santo, que santificará o crente à semelhança de Jesus

sábado, 23 de junho de 2018

25. Evidências da Salvação


A Bíblia, como já vimos nos capítulos anteriores, nos ensina que não devemos confiar em nada além do amor de Deus, manifesto na obra de Jesus Cristo na cruz para assegurar a nossa salvação. No entanto, ela também nos diz que a salvação produz frutos ou resultados na vida da pessoa e que devemos examinar tais frutos não como causa da salvação, mas como consequência, evidência do agir de Deus em nossas vidas. Devemos sim encontrar, ao longo do tempo, mudanças em nós, na nossa forma de agir, de pensar, de falar etc.

2 Coríntios 13:5 Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados.
Tiago 2:17-18 Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.

Se depositamos nossa fé em Jesus para a nossa salvação, somos, segundo a promessa de Deus, feitos habitação do Espírito Santo e isso tem consequências em nossas vidas:

Gálatas 5:22-25 Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei. Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos. Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito. (NVI)

Vale notar também a exortação ao final do versículo 25: “...andemos também pelo Espírito”. Ou seja, mesmo não havendo participação humana no novo nascimento,1 mesmo que as nossas boas obras tenham origem no próprio Deus, devemos nos esforçar em nossa santificação, em outras palavras “operar”, ou “pôr em ação” a nossa salvação:

Filipenses 2:12,13 Assim, meus amados, como sempre vocês obedeceram, não apenas em minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele.

O final destes versículos nos ajuda a permanecer humildes diante de Deus. Foi o Senhor quem operou tanto no nosso querer (a nossa vontade de obedecer) quanto no nosso realizar (as nossas ações concretas), de forma que toda a glória e honra pertencem a Deus. Enquanto que o começo destes dois versículos nos lembra que agir (aqui soarei redundante) é algo que fazemos nós mesmos, o final dos versículos nos mostra que esse agir não resulta de uma força que nasce de nós mesmos, não resulta dos nossos próprios méritos, é uma obra de Deus.2
O Espírito Santo nos levará a viver de forma totalmente diferente de antes da nossa conversão3. Até o ponto que poderemos constatar sermos pessoas novas:

2 Coríntios 5:17 Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.

Pode ser que algumas coisas em nossas vidas levem algum tempo até que se conformem ao que Deus estabelece em sua Palavra, de fato, a santificação,4 como mencionamos, é progressiva nessa vida e tem um alvo muito bem definido, sermos semelhantes a Deus em caráter:

I João 3:2 Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos.
Toda essa transformação nos leva à obediência a Deus, a assumirmos o seu senhorio5 sobre as nossas vidas, que se evidencia na mesma medida em que obedecemos à Palavra de Deus:

Lucas 6:46 E por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo?

No próximo capítulo faremos uma revisão do que temos visto até aqui e esclareceremos alguns termos.

Resumo do Capítulo 25
  • A salvação produz frutos como evidência (não causa) da sua realidade. Devemos examinar esses frutos
    (2 Co 13:5; Tg 2:17-18)
  • A habitação do Espírito Santo em nós, quando cremos em Jesus, tem consequências positivas (Gl 5:22-25)
  • Devemos nos esforçar em nossa santificação, ainda que Deus exerça seu controle soberano sobre todo o processo
    (Fp 2:12-13)
  • Seremos pessoas completamente diferentes (2 Co 5:17)
  • A santificação é progressiva, tendo como alvo a semelhança com Deus em caráter (I Jo 3:2)

1 Ou “regeneração”, consulte o capítulo 15 a respeito do “novo nascimento”.
2 O leitor não habituado à soteriologia (doutrina da salvação) reformada/evangélica pode estranhar o fato de que somos regenerados pelo agir unilateral de Deus (o termo técnico em teologia é “regeneração monergística”), enquanto que depois somos chamados a agir e trabalhar em nossa santificação, sendo que novamente é Deus quem operar em nossa vontade e ações. Para um texto elaborado nesse tópico, recomendamos o capítulo de número 6 da “Teologia Sistemática” (à venda pela editora monergismo e de graça na internet com autorização do autor) de Vincent Cheung, no tópico “Santificados”. O trecho relevante se encontra no seguinte link:
http://www.monergismo.com/textos/santificacao/cheung_santificado.htm

3 Sobre a conversão, consulte o capítulo 22.
4 Consulte o capítulo 14 (“Salvos para o quê?) no 6º tópico: “A Santificação”.
5 É por isso que a Bíblia chama a Deus de “o Senhor” e nós, de seus “servos”.

domingo, 3 de junho de 2018

24. A Certeza da Salvação

Todos as pessoas têm fé1 e apostam suas vidas nela. Ao pegar um avião, a pessoa, por mais cética que seja, deve ter alguma justificativa muito boa para acreditar que ele sairá do chão, quanto mais chegar em segurança ao destino final! Isso não quer dizer que não haja momentos em que uma turbulência de vez em quando não abale um pouco essa confiança. Afinal, mesmo que o avião comece a tremer as pessoas costumam ainda pensar: “Os cientistas passaram muito tempo estudando para que esse negócio fosse seguro…” ou então: “Os pilotos fazem isso há muitos anos e sabem como lidar com essa situação” e etc. O fato é que a fé e a dúvida são realidades experimentadas constantemente por todas as pessoas.
Note que a fé, como temos enfatizado aqui, sempre se sustenta em alguma outra coisa, um fato, uma situação, uma informação etc.2 Mas em que sustentaríamos a certeza/fé relacionada à nossa salvação eterna? Em que fundamento descansaríamos seguros?
Nós já conferimos que as boas obras/caridade são um péssimo candidato para garantir essa certeza. Afinal os critérios de Deus são perfeitos e nós estamos longe demais disso. Sabemos também que frequentar uma instituição religiosa e praticar vários dos seus ritos também não nos ajudariam muito, visto que nada disso foi considerado suficiente por Deus para expiar os nossos pecados.3 Afinal o próprio Deus estabeleceu a vinda de Jesus para a expiação dos pecados do seu povo e exigiu desse mesmo povo a fé no sacrifício de seu filho. Mas então chegamos a uma “brilhante” conclusão: Só resta nos apoiar em nossa fé no Evangelho! Considerando que foi esse o meio que Deus estabeleceu para efetuar a salvação. Infelizmente esse também é um erro muito comum, como demonstraremos.
A primeira coisa que devemos ter em mente é que a fé no Evangelho é o MEIO e não a CAUSA da nossa salvação. O que nos justifica diante de Deus é a obra e os méritos de Cristo. E a experiência nos mostra, se a nossa caminhada cristã durou mais do que cinco minutos, que em alguns momentos a nossa fé é abalada, seja por alguma ideia que estamos considerando, seja por uma situação específica que estamos enfrentando etc. Se até mesmo essa fé, em nossos corações, vacila, com certeza isso não é um fundamento assim tão sólido para depositar a nossa confiança. Não devemos ter fé na fé.4
A resposta para o nosso questionamento reside em lembrar dos atributos e do caráter de Deus. Nossa fé deve se apoiar no amor de Deus. O próprio Deus, na pessoa de Jesus Cristo, veio ao mundo resgatar e salvar o seu povo da destruição. Foi iniciativa dele, foi Ele quem veio morar no seu povo, na pessoa do Espírito Santo. Ou seja, a salvação é do interesse máximo de Deus e é assegurada pelo próprio Deus:

João 3:17 Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo5 por ele.
João 6:37-40 Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia. Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.

Vemos então que a nossa fé não deve descansar em outro lugar senão na verdade expressa da Palavra de Deus. A saber, o amor de Deus e a sua iniciativa de nos salvar através do seu Filho Jesus. Sendo Deus perfeito em caráter e todo-poderoso, estamos seguros em que Ele é poderoso para nos salvar e nos preservar até o final. Mas a Bíblia nos exorta a atentar também para algumas evidências dessa salvação em nossas vidas. É o que veremos no próximo capítulo.
Resumo do Capítulo 24
  • Todos as pessoas experimentam a fé e a desconfiança constantemente
  • Fundamentos inadequados para a certeza da nossa salvação:
      • Boas obras
      • Ritos religiosos
      • A nossa própria fé (a fé é o meio da graça de Deus e não a sua causa)
  • Nossa fé deve se apoiar no amor e no caráter de Deus conforme revelado na Palavra de Deus (Jo 3:17; Jo 6:37-40)
  • A salvação é iniciativa de Deus e portanto é por ele assegurada

1 A definição que utilizamos aqui é a de crença pessoal, o assentimento convicto à verdade de alguma informação, conforme explicado no capítulo 2.
2 Preciso deixar isso claro por conta da contemporânea militância neoateísta, que usa da estratégia de atacar o espantalho de uma “fé” sem embasamento algum, que pode até ser a realidade em alguma religião qualquer, mas com certeza, isso não tem lugar no cristianismo histórico.
3 Explicações nos capítulos 3 e 9.
4 Colocar nossa confiança em nossa capacidade de crer, sendo que o ato de crer é muitas vezes inconstante na vida do homem, seria entender a salvação como um jogo de “bem-me-quer, mal-me-quer”.
5 Note nesse e em outros versículos a certeza de Deus em concretizar o seu plano de salvação.

domingo, 20 de maio de 2018

23. A Fé que se Apropria do Evangelho


Aqui tomo licença para novamente insistir com o leitor. Se isso ainda não é uma realidade na sua vida, arrependa-se e creia no evangelho! Deposite a sua confiança em Cristo e fuja da ira que está por vir! Não espere para fazê-lo depois, pois o dia do julgamento de Deus está próximo!
Alguém poderia perguntar como eu poderia saber que o juízo de Deus está próximo. Além de apontar para o que Jesus ensinou a respeito do fim dos tempos,1 devo mencionar que não sabemos quanto tempo nos resta de vida. Viveremos muitos anos? Chegaremos à velhice? Partiremos dessa vida de forma natural? Só Deus sabe dessas coisas, mas a verdade é que, se o juízo de Deus não chegar literalmente para todos em breve, é certo que chegará para todos os que morrerem antes, individualmente. A passagem a seguir assegura as duas verdades:

Hebreus 9:27-28 E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação.

Pouco nos ajudará conhecer muito a respeito da Bíblia, da teologia, se também não nos apropriarmos dessas verdades pela fé e vivermos de acordo com elas.

Tiago 2:19 Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem.

É preciso EXPERIMENTAR as verdades de Deus, não apenas conhecê-las. Não leia apenas “todos pecaram...” (Rm 3:23), mas compreenda: “eu pequei, eu sou pecador...”. Não pare em “Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus...” (Rm 10:9-10), mas confesse “Senhor Jesus, tu és o Cristo, o Filho de Deus!”
Leia sua Bíblia, entendendo ser ela uma mensagem de Deus para a SUA vida e não somente o relato da experiência de outras pessoas. Afinal, Deus deixou tudo isso registrado para que eu, você e várias outras pessoas pudessem um dia crer no Evangelho.

João 20:30,31 Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.

A obra da salvação de Deus ocorre de maneiras variadas na vida das pessoas (durante uma pregação, uma leitura etc.), no entanto ela sempre envolve a fé exclusivamente no Senhor Jesus.2 Você pode orar3 a Deus, falando sobre o que leu até aqui, admitindo a sua condição de pecador e clamando pelo perdão e graça do Senhor.4 Você pode se emocionar ao fazê-lo e chorar, mas isso não é sempre necessário, é preciso apenas que seja consciente, verdadeiro e com fé. Saiba que o Deus onisciente ouve as orações e que está disposto a honrar a verdade da Sua Palavra (no caso aqui, a verdade sobre a fé e o arrependimento).

Hebreus 11:6 Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador5 dos que o buscam.

Caso não faça ideia por onde começar, aqui está uma oração que pode utilizar como modelo, mas você pode usar suas próprias palavras (de maneira respeitosa). Se possível, procure um local calmo e isolado (um quarto, ou uma sala por exemplo), se ajoelhe, feche os olhos, e dirija a sua voz a Deus, dizendo:
Senhor Deus, aprendi na Bíblia que tu és o criador de todas as coisas, que tu és santo e soberano. Aprendi que sou pecador e que por isso mereço punição, pois tu és justo. Mas sei também que tu és um Deus de amor e de misericórdia que enviou Jesus para morrer no meu lugar. Venho então agora pedir perdão e me arrepender dos meus pecados. Eu agora confesso que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus! Salva-me Senhor! Acrescenta-me a fé para crer na tua Palavra. Dá-me o teu Espírito Santo para que eu possa ter comunhão contigo e te obedecer. Eu oro em nome do Senhor Jesus, amém.”6
No próximo capítulo falaremos a respeito de como alguém pode ter a certeza de que foi salvo por Deus.

Resumo do Capítulo 23
  • Um apelo: arrependa-se e creia no Evangelho!
  • O juízo de Deus está próximo (Hb 9:27-28)
      • Seja o juízo final
      • Seja o nosso comparecimento perante Deus após a morte
  • Precisamos nos apropriar das verdades da Bíblia pela fé e viver de acordo com elas (Tg 2:19)
  • É necessário EXPERIMENTAR as verdades da Bíblia (pecado, fé, arrependimento etc.)
  • A Palavra de Deus foi escrita para sermos salvos através da fé no Evangelho (Jo 20:31)
  • A obra da salvação sempre envolve a fé exclusivamente no Senhor Jesus
  • É preciso dirigir nossas orações a Deus com fé (Hb 11:6)
  • Recomendação: orar confessando as verdades bíblicas e clamando por salvação

1 Jesus e vários outros escritores da Bíblia se referiam à vinda do juízo de Deus sobre o mundo como o “fim dos dias”, ou “o fim dos tempos”. O estudo desse assunto é chamado de “Escatologia” (estudo das últimas coisas). A teologia sistemática que recomendamos (W. Grudem) tem capítulos dedicados a esse tópico. Recomendamos também a leitura de outras perspectivas escatológicas, como por exemplo, a seguinte (tradução autorizada): http://www.monergismo.net.br/textos/livros/Pos-Milenarismo-Leigos_ebook.pdf
2 Outra observação pertinente é que a Bíblia deixa claro que Deus não tolera nenhuma espécie de sincretismo religioso. Ou Jesus é o único e todo suficiente salvador da pessoa, ou não o é de maneira alguma. (conferir João 14:6 e Atos 4:12)
3 Oração é falar com Deus, se dirigir a Ele comunicando louvor e adoração, agradecimentos, pedidos, etc.
4 Note que não estamos afirmando que ao fazer essa oração, você utilizará uma “fórmula mágica” que automaticamente te salva. Estamos apenas ajudando o leitor a falar com Deus pedindo a fé no Evangelho, que é justamente o instrumento de Deus para a salvação e que vem dele mesmo. De fato, é bem possível que, ao decidir fazer essa oração, o leitor já possua essa fé antes mesmo de abrir a boca e por consequência já esteja salvo.
5 “Galardão” é sinônimo de prêmio/recompensa. No entanto, é importante lembrar que, na busca por Deus, a recompensada vem pelos méritos de Cristo e não daquele que busca, mesmo sendo a busca um fator essencial na vida do cristão.
6 Orar em nome de Jesus é orar de acordo com o que Deus nos ensina em sua Palavra, ou seja, orar o que o próprio Jesus oraria, sendo nós, os seus representantes. (conferir João 14:13). “Amém”, significa “que assim seja”.