quinta-feira, 26 de outubro de 2017

11. A Ressurreição de Cristo

Voltando a nossa passagem em Coríntios, o apóstolo prossegue na sua apresentação do Evangelho:

I Coríntios 15:4 que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras;

Ele nos fornece um dado histórico importante, que Jesus, após falecer, teve o seu corpo sepultado.1 Mas a história não terminou aí! No terceiro dia após sua morte, Jesus, pelo poder de Deus, voltou à vida, ressuscitou! Paulo fornece a seguir uma lista de pessoas que testemunharam aparições de Jesus depois de ter ressuscitado:

I Coríntios 15:5-8 que apareceu a Cefas, e depois aos doze; (6) depois apareceu a mais de quinhentos irmãos duma vez, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormiram; (7) depois apareceu a Tiago, então a todos os apóstolos; (8) e por derradeiro de todos apareceu também a mim, como a um abortivo.

Essa ressurreição por sua vez teve um significado atribuído por Deus, que ressuscitou Jesus para vindicar (exigir o reconhecimento) a autenticidade da vida, obra e justiça de seu Filho:

Romanos 1:4 Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dentre os mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor,
Além disso, a ressurreição foi realizada para a justificação daqueles que tiveram seus pecados expiados na morte de Cristo:

Romanos 4:25 O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação.

A justificação é o ato legal da parte de Deus de imputar (“colocar na conta”) a justiça da vida, obra e ressurreição de Cristo aos mesmos que Paulo menciona no trecho. Os teólogos chamam isso de “A Terceira Grande Imputação”. O indivíduo “toma posse” desse benefício através da fé:

Romanos 5:1 Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo;

A ressurreição era portanto, a prova de que o sacrifício de Jesus pelo seu povo foi aceito por Deus e que essas pessoas estavam perdoadas de todos os seus pecados.

Resumo do Capítulo 11

  • Jesus foi sepultado (Jo 19:38-42) e ressuscitou no terceiro dia (I Co 15:4)
  • Várias pessoas testemunharam aparições de Jesus após sua ressurreição (I Co 15:5-8)
  • A Ressurreição serviu para:
    1. Deus vindicar a autenticidade da vida, obra e justiça do seu filho Jesus (Rm 1:4)
    2. A justificação do povo de Deus (Rm 4:25)
  • Justificação” significa Deus imputar (“colocar na conta”) a justiça de Cristo ao seu povo
  • A Justificação é chamada também de “A Terceira Grande Imputação”
  • O indivíduo toma posse desse benefício pela fé (Rm 5:1)
  • A Ressurreição de Jesus Cristo prova que:
    1. O Sacrifício de Cristo foi aceito por Deus Pai
    2. O povo de Deus teve os seus pecados perdoados

1 Conforme registrado no Evangelho de João (conferir João 19:38-42).

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

10. Segundo as Escrituras

Ainda no final do versículo 3 de I Coríntios 15 e adiante, vemos que a mensagem do Evangelho é “segundo as Escrituras”, ou seja, em acordo com a profecia, simbolismo e doutrina das “Escrituras”, a saber, a Palavra de Deus, naquela época, consistindo apenas do Velho Testamento em nossas Bíblias atuais:
I Coríntios 15:3 Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras;
Um exemplo de profecia que foi cumprida na morte de Jesus e que Paulo provavelmente tivesse em mente seria a profecia de Isaías no capítulo 53, no versículo 5:
Isaías 53:5 Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados
O profeta Isaías viveu por volta de 700 anos antes de Cristo e recebeu de Deus informações a respeito do que aconteceria a Jesus muito tempo depois. Ele também recebeu de Deus informação a respeito de qual seria o significado e as implicações desses eventos.
Um exemplo de simbolismo apontando para a expiação de Cristo, foi o sistema de sacrifícios de animais para a expiação dos pecados do povo de Israel. Havia a figura do sacerdote que degolava o cordeiro e espalhava o sangue sobre o altar, para perdão dos pecados do povo:
Levítico 4:2-3 Fala aos filhos de Israel, dizendo: Quando uma alma pecar, por ignorância, contra alguns dos mandamentos do Senhor, acerca do que não se deve fazer, e proceder contra algum deles; Se o sacerdote ungido pecar para escândalo do povo, oferecerá ao Senhor, pelo seu pecado, que cometeu, um novilho sem defeito, por expiação do pecado.
No Velho Testamento não faltam exemplos para ilustrar o que Cristo faria pelo seu povo. Mas a obra de Jesus não terminou em sua morte, como veremos a seguir.
Resumo do Capítulo 10
  • O Evangelho é de acordo com a (1) profecia, (2) simbolismo e (3) doutrina das Escrituras (I Co 15:3)
  • As Escrituras (ou Palavra de Deus) consistiam apenas do Velho Testamento na época de Paulo
  • Um exemplo de profecia: Isaías 53:5
    1. Isaías viveu 700 anos antes de Cristo
    2. Recebeu de Deus informações sobre a obra de Jesus, qual o seu significado e quais as suas implicações
  • Um exemplo de simbolismo: o sistema sacrificial do Velho Testamento para perdão dos pecados (Lv 4:2-3)

domingo, 1 de outubro de 2017

9. Expiação


No terceiro capítulo, mencionamos a doutrina daexpiaçãoque afirma que, a pena, ou o castigo que justamente mereciam os pecadores mencionados na passagem de I Coríntios 15, foi sofrido e pago pelo sacrifício de Cristo, que morreu na cruz no lugar deles. Como escreveu também o apóstolo Pedro:
I Pedro 3:18 Porque também Cristo morreu uma só vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; sendo, na verdade, morto na carne, mas vivificado no espírito;
Romanos 5:8 Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.
Jesus Cristo, o Filho de Deus (a segunda pessoa da Trindade), veio ao mundo (assumindo uma natureza humana ao nascer, mas não abandonando sua divindade), viveu uma vida perfeita diante do seu Pai celestial, obedecendo a todos os seus mandamentos e, tendo exercido um ministério de pregação e de milagres, foi, por fim, acusado injustamente, castigado e executado em uma cruz pelas autoridades da sua época.1
Essa execução no entanto, não foi somente resultado do intento de homens maus (o que de fato acabou sendo), mas foi também planejada e orquestrada pelo próprio Deus que entregou o seu Filho para morrer no lugar de pecadores:
Atos 2:22-23 Homens israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis; A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos;
João 3:16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Não há mais, portanto, uma condenação, um castigo da parte de Deus reservado para os pecadores, escolhidos de Deus, em Cristo, e que creem no Evangelho, porque Jesus sofreu e morreu no lugar deles, satisfazendo portanto, tanto a justiça, quanto o amor de Deus, como diz o apóstolo Paulo em outra epístola:
Romanos 8:1 Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito.
Note-se que essa condição (sem condenação) é exclusiva daqueles que estão “em Cristo”. Veremos mais a frente que o estar em Cristo, ou, unido a Cristo, é algo que só pode ser realizado por Deus e aqui há muitos detalhes importantes, mas, pelo menos, pudemos perceber até agora que, a fé no Evangelho, na vida e obra de Jesus, bem como em todo o seu significado, é um elemento essencial para que alguém seja unido a Cristo e receba os benefícios da sua obra de salvação.
A Expiação também é reconhecida pelos teólogos como A Segunda Grande Imputação”. Ou seja, os pecados das pessoas mencionadas ali por Paulo foram “colocados na conta” de Cristo e pagos em seu sofrimento e morte na cruz.

Resumo do Capítulo 9
  • Expiação: a pena que mereciam pecadores foi paga/sofrida por Cristo (I Pe 3:18; Rm 5:8)
  • Jesus Cristo (a segunda pessoa da Trindade):
    1. Assumiu uma natureza humana
    2. Viveu uma vida perfeita e sem pecado
    3. Pregou e realizou milagres
    4. Foi acusado injustamente, castigado e executado em uma cruz
  • A morte de Cristo foi planejada por Deus
(At 2:22-23; Jo 3:16)
  • Não há mais condenação para os que estão “em Cristo” e creem no Evangelho (Rm 8:1)
  • A Expiação é chamada de “A Segunda Grande imputação”

1 Esse é basicamente um resumo do conteúdo dos Evangelhos que iniciam o Novo Testamento: Mateus, Marcos, Lucas e João. É extremamente recomendado ler esses quatro livros com bastante atenção.