Todos
as pessoas têm fé1
e apostam suas vidas nela. Ao pegar um avião, a pessoa, por mais
cética que seja, deve ter alguma justificativa muito boa para
acreditar que ele sairá do chão, quanto mais chegar em segurança
ao destino final! Isso não quer dizer que não haja momentos em que
uma turbulência de vez em quando não abale um pouco essa confiança.
Afinal, mesmo que o avião comece a tremer as pessoas costumam ainda
pensar: “Os cientistas passaram muito tempo estudando para que esse
negócio fosse seguro…” ou então: “Os pilotos fazem isso há
muitos anos e sabem como lidar com essa situação” e etc. O fato é
que a fé e a dúvida são realidades experimentadas constantemente
por todas as pessoas.
Note
que a fé, como temos enfatizado aqui, sempre se sustenta em alguma
outra coisa, um fato, uma situação, uma informação etc.2
Mas em que sustentaríamos a certeza/fé relacionada à nossa
salvação eterna? Em que fundamento descansaríamos seguros?
Nós
já conferimos que as boas obras/caridade são um péssimo candidato
para garantir essa certeza. Afinal os critérios de Deus são
perfeitos e nós estamos longe demais disso. Sabemos também que
frequentar uma instituição religiosa e praticar vários dos seus
ritos também não nos ajudariam muito, visto que nada disso foi
considerado suficiente por Deus para expiar os nossos pecados.3
Afinal o próprio Deus estabeleceu a vinda de Jesus para a expiação
dos pecados do seu povo e exigiu desse mesmo povo a fé no sacrifício
de seu filho. Mas então chegamos a uma “brilhante” conclusão:
Só resta nos apoiar em nossa
fé
no Evangelho! Considerando que foi esse o meio que Deus estabeleceu
para efetuar a salvação. Infelizmente esse também é um erro muito
comum, como demonstraremos.
A
primeira coisa que devemos ter em mente é que a fé no Evangelho é
o MEIO
e
não a CAUSA
da
nossa salvação. O que nos justifica diante de Deus é a obra e os
méritos de Cristo. E a experiência nos mostra, se a nossa caminhada
cristã durou mais do que cinco minutos, que em alguns momentos a
nossa fé é abalada, seja por alguma ideia que estamos considerando,
seja por uma situação específica que estamos enfrentando etc. Se
até mesmo essa fé, em nossos corações, vacila, com certeza isso
não é um fundamento assim tão sólido para depositar a nossa
confiança. Não
devemos ter fé na fé.4
A
resposta para o nosso questionamento reside em lembrar dos atributos
e do caráter de Deus. Nossa fé
deve se apoiar no amor de Deus.
O próprio Deus, na pessoa de Jesus Cristo, veio ao mundo resgatar e
salvar o seu povo da destruição. Foi iniciativa dele, foi Ele quem
veio morar no seu povo, na pessoa do Espírito Santo. Ou seja, a
salvação é do interesse máximo de Deus e é assegurada pelo
próprio Deus:
João
3:17
Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse
o mundo, mas para que o mundo fosse
salvo5
por ele.
João
6:37-40
Todo
o que o Pai me dá virá a mim;
e o que vem a mim de
maneira nenhuma o lançarei fora.
Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a
vontade daquele que me enviou. E a
vontade do Pai
que me enviou é esta: Que
nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite
no último dia.
Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que
todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e
eu o ressuscitarei no último dia.
|
Vemos então que a nossa fé não deve descansar em outro lugar senão na verdade expressa da Palavra de Deus. A saber, o amor de Deus e a sua iniciativa de nos salvar através do seu Filho Jesus. Sendo Deus perfeito em caráter e todo-poderoso, estamos seguros em que Ele é poderoso para nos salvar e nos preservar até o final. Mas a Bíblia nos exorta a atentar também para algumas evidências dessa salvação em nossas vidas. É o que veremos no próximo capítulo.
Resumo do Capítulo 24
|
1
A definição que utilizamos aqui é a de crença pessoal, o
assentimento convicto à verdade de alguma informação, conforme
explicado no capítulo 2.
2
Preciso deixar isso claro por conta da contemporânea militância
neoateísta, que usa da estratégia de atacar o espantalho de uma
“fé” sem embasamento algum, que pode até ser a realidade em
alguma religião qualquer, mas com certeza, isso não tem lugar no
cristianismo histórico.
3
Explicações nos capítulos 3 e 9.
4
Colocar nossa confiança em nossa capacidade de crer, sendo que o
ato de crer é muitas vezes inconstante na vida do homem, seria
entender a salvação como um jogo de “bem-me-quer, mal-me-quer”.
5
Note nesse e em outros versículos a certeza de Deus em concretizar
o seu plano de salvação.
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