domingo, 3 de junho de 2018

24. A Certeza da Salvação

Todos as pessoas têm fé1 e apostam suas vidas nela. Ao pegar um avião, a pessoa, por mais cética que seja, deve ter alguma justificativa muito boa para acreditar que ele sairá do chão, quanto mais chegar em segurança ao destino final! Isso não quer dizer que não haja momentos em que uma turbulência de vez em quando não abale um pouco essa confiança. Afinal, mesmo que o avião comece a tremer as pessoas costumam ainda pensar: “Os cientistas passaram muito tempo estudando para que esse negócio fosse seguro…” ou então: “Os pilotos fazem isso há muitos anos e sabem como lidar com essa situação” e etc. O fato é que a fé e a dúvida são realidades experimentadas constantemente por todas as pessoas.
Note que a fé, como temos enfatizado aqui, sempre se sustenta em alguma outra coisa, um fato, uma situação, uma informação etc.2 Mas em que sustentaríamos a certeza/fé relacionada à nossa salvação eterna? Em que fundamento descansaríamos seguros?
Nós já conferimos que as boas obras/caridade são um péssimo candidato para garantir essa certeza. Afinal os critérios de Deus são perfeitos e nós estamos longe demais disso. Sabemos também que frequentar uma instituição religiosa e praticar vários dos seus ritos também não nos ajudariam muito, visto que nada disso foi considerado suficiente por Deus para expiar os nossos pecados.3 Afinal o próprio Deus estabeleceu a vinda de Jesus para a expiação dos pecados do seu povo e exigiu desse mesmo povo a fé no sacrifício de seu filho. Mas então chegamos a uma “brilhante” conclusão: Só resta nos apoiar em nossa fé no Evangelho! Considerando que foi esse o meio que Deus estabeleceu para efetuar a salvação. Infelizmente esse também é um erro muito comum, como demonstraremos.
A primeira coisa que devemos ter em mente é que a fé no Evangelho é o MEIO e não a CAUSA da nossa salvação. O que nos justifica diante de Deus é a obra e os méritos de Cristo. E a experiência nos mostra, se a nossa caminhada cristã durou mais do que cinco minutos, que em alguns momentos a nossa fé é abalada, seja por alguma ideia que estamos considerando, seja por uma situação específica que estamos enfrentando etc. Se até mesmo essa fé, em nossos corações, vacila, com certeza isso não é um fundamento assim tão sólido para depositar a nossa confiança. Não devemos ter fé na fé.4
A resposta para o nosso questionamento reside em lembrar dos atributos e do caráter de Deus. Nossa fé deve se apoiar no amor de Deus. O próprio Deus, na pessoa de Jesus Cristo, veio ao mundo resgatar e salvar o seu povo da destruição. Foi iniciativa dele, foi Ele quem veio morar no seu povo, na pessoa do Espírito Santo. Ou seja, a salvação é do interesse máximo de Deus e é assegurada pelo próprio Deus:

João 3:17 Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo5 por ele.
João 6:37-40 Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia. Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.

Vemos então que a nossa fé não deve descansar em outro lugar senão na verdade expressa da Palavra de Deus. A saber, o amor de Deus e a sua iniciativa de nos salvar através do seu Filho Jesus. Sendo Deus perfeito em caráter e todo-poderoso, estamos seguros em que Ele é poderoso para nos salvar e nos preservar até o final. Mas a Bíblia nos exorta a atentar também para algumas evidências dessa salvação em nossas vidas. É o que veremos no próximo capítulo.
Resumo do Capítulo 24
  • Todos as pessoas experimentam a fé e a desconfiança constantemente
  • Fundamentos inadequados para a certeza da nossa salvação:
      • Boas obras
      • Ritos religiosos
      • A nossa própria fé (a fé é o meio da graça de Deus e não a sua causa)
  • Nossa fé deve se apoiar no amor e no caráter de Deus conforme revelado na Palavra de Deus (Jo 3:17; Jo 6:37-40)
  • A salvação é iniciativa de Deus e portanto é por ele assegurada

1 A definição que utilizamos aqui é a de crença pessoal, o assentimento convicto à verdade de alguma informação, conforme explicado no capítulo 2.
2 Preciso deixar isso claro por conta da contemporânea militância neoateísta, que usa da estratégia de atacar o espantalho de uma “fé” sem embasamento algum, que pode até ser a realidade em alguma religião qualquer, mas com certeza, isso não tem lugar no cristianismo histórico.
3 Explicações nos capítulos 3 e 9.
4 Colocar nossa confiança em nossa capacidade de crer, sendo que o ato de crer é muitas vezes inconstante na vida do homem, seria entender a salvação como um jogo de “bem-me-quer, mal-me-quer”.
5 Note nesse e em outros versículos a certeza de Deus em concretizar o seu plano de salvação.

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