A essa altura já deve ter se
tornado óbvio que se não fosse pela salvação oferecida por Deus
em Cristo Jesus, as pessoas a quem Paulo se refere teriam sofrido
seríssimas consequências por conta do seu pecado.
Podemos
destacar, além da ira de Deus que já mencionamos1,
as seguintes consequências do pecado na humanidade2:
I. A culpa resultante do
pecado, que se manifesta de duas formas:
A) Subjetivamente, ou
psicologicamente, em nosso sentimento de vergonha e medo de Deus,
como podemos ver ilustrado na história da queda do homem em Gênesis
3:
Gênesis
3:9-11
E
chamou o Senhor Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás? E ele
disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e
escondi-me. E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste
tu da árvore de que te ordenei que não comesses?
|
B) Objetivamente, em nossa
dívida legal para com Deus:
Efésios
1:7
Em
quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas,
segundo as riquezas da sua graça,
Colossenses
2:13
E,
quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da
vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos
todas as ofensas.
|
Ou
seja, nosso problema não é só o fato de nos sentirmos
envergonhados pelas coisas erradas que praticamos, pensamos, ou
quando nos omitimos de fazer o bem. Embora isso seja um problema,
existe de fato uma dívida legal3,
um atentado contra a lei moral de Deus, que como vimos, é
perfeitamente santo e justo e portanto, pretende punir aquele que
procede de forma errada.
II. A depravação moral:
Romanos
1:24
Por
isso também Deus os entregou às concupiscências de seus
corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si;
Filipenses
2:15
Para
que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus
inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa,
entre a qual resplandeceis como astros no mundo;
|
A
prática do pecado representa uma degradação do padrão moral
original da criação. Ao praticarmos aquilo que Deus condena, nos
“sujamos” no lamaçal do pecado e muitas vezes isso leva a uma
desobediência ainda pior como consequência. Não é difícil
observar isso na humanidade em geral4,
como também em nossas próprias vidas, percebemos que o pecado tem
uma tendência de chamar ainda mais pecado.
III A escravidão do pecado:
João
8:34
Respondeu-lhes
Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete
pecado é servo do pecado.
Romanos
6:20
Porque,
quando éreis servos do pecado, estáveis livres da justiça.
|
A Bíblia nos alerta sobre o efeito escravizador do pecado. Se mantivermos algum pecado por hábito, é possível que ele chegue até mesmo a dominar a nossa própria vontade, ao ponto de não conseguirmos parar de praticá-lo a não ser que consigamos ajuda sobrenatural. O leitor já parou para pensar em quantas coisas pratica, que parecem não ser tão voluntárias como inicialmente aparentam? Ou já tentou fazer o que é certo segundo os padrões de Deus, mas no fim das contas acabou desistindo porque a própria vontade ou o arranjo das circunstâncias pareceu favorecer outra forma de agir?
IV. A “cegueira espiritual”:
Romanos
3:10-11
Como
está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém
que entenda;
Não há ninguém que busque a Deus.
João
3:3
Jesus
respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele
que não nascer de novo, não
pode ver
o reino de Deus.
|
A
Bíblia usa a metáfora da “cegueira”
para se referir à ignorância
do homem em relação às coisas do Espírito de Deus:
I
Coríntios 2:14
Ora,
o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus,
porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas
se discernem espiritualmente.
|
Jesus
chega a dizer5
que seria preciso que um homem nascesse de novo para sequer ver, ou
contemplar o reino de Deus.6
1
Consulte o capítulo 7.
2
O que segue não pretende ser uma lista exaustiva das consequências
do pecado, mas fornece um panorama abrangente de como a
desobediência a Deus e a ruína espiritual prejudicam a humanidade.
3
Há vezes que a culpa subjetiva está presente, mesmo não havendo
culpa objetiva de acordo com a lei de Deus. Isto pode ser resultado
de informação equivocada, conceitos sem embasamento promovidos
pelos outros, ou até mesmo ideias fabricadas pela própria
imaginação da pessoa. Há outros casos em que a culpa subjetiva
está ausente e a objetiva presente. Isso pode indicar
insensibilidade, indiferença ou até mesmo sociopatia em casos mais
extremos. O ideal seria a presença da culpa subjetiva apenas quando
a culpa objetiva se faz presente.
4
Paulo discorre sobre a depravação geral da humanidade em sua
epístola aos Romanos no capítulo 1 (versículo 18 a 32).
5
Como exposto em João 3:3 logo acima.
6
Falaremos sobre o “nascer de novo” no capítulo 15.
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