sexta-feira, 17 de novembro de 2017

13. Salvos de Quê? (Parte 1)

                 A essa altura já deve ter se tornado óbvio que se não fosse pela salvação oferecida por Deus em Cristo Jesus, as pessoas a quem Paulo se refere teriam sofrido seríssimas consequências por conta do seu pecado.
Podemos destacar, além da ira de Deus que já mencionamos1, as seguintes consequências do pecado na humanidade2:

I. A culpa resultante do pecado, que se manifesta de duas formas:
A) Subjetivamente, ou psicologicamente, em nosso sentimento de vergonha e medo de Deus, como podemos ver ilustrado na história da queda do homem em Gênesis 3:

Gênesis 3:9-11 E chamou o Senhor Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás? E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me. E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses?
B) Objetivamente, em nossa dívida legal para com Deus:

Efésios 1:7 Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça,
Colossenses 2:13 E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas.

Ou seja, nosso problema não é só o fato de nos sentirmos envergonhados pelas coisas erradas que praticamos, pensamos, ou quando nos omitimos de fazer o bem. Embora isso seja um problema, existe de fato uma dívida legal3, um atentado contra a lei moral de Deus, que como vimos, é perfeitamente santo e justo e portanto, pretende punir aquele que procede de forma errada.
II. A depravação moral:

Romanos 1:24 Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si;
Filipenses 2:15 Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo;

A prática do pecado representa uma degradação do padrão moral original da criação. Ao praticarmos aquilo que Deus condena, nos “sujamos” no lamaçal do pecado e muitas vezes isso leva a uma desobediência ainda pior como consequência. Não é difícil observar isso na humanidade em geral4, como também em nossas próprias vidas, percebemos que o pecado tem uma tendência de chamar ainda mais pecado.

III A escravidão do pecado:

João 8:34 Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado.
Romanos 6:20 Porque, quando éreis servos do pecado, estáveis livres da justiça.

A Bíblia nos alerta sobre o efeito escravizador do pecado. Se mantivermos algum pecado por hábito, é possível que ele chegue até mesmo a dominar a nossa própria vontade, ao ponto de não conseguirmos parar de praticá-lo a não ser que consigamos ajuda sobrenatural. O leitor já parou para pensar em quantas coisas pratica, que parecem não ser tão voluntárias como inicialmente aparentam? Ou já tentou fazer o que é certo segundo os padrões de Deus, mas no fim das contas acabou desistindo porque a própria vontade ou o arranjo das circunstâncias pareceu favorecer outra forma de agir?

IV. A “cegueira espiritual”:

Romanos 3:10-11 Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus.
João 3:3 Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.

A Bíblia usa a metáfora da “cegueira” para se referir à ignorância do homem em relação às coisas do Espírito de Deus:

I Coríntios 2:14 Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.
Jesus chega a dizer5 que seria preciso que um homem nascesse de novo para sequer ver, ou contemplar o reino de Deus.6

1 Consulte o capítulo 7.
2 O que segue não pretende ser uma lista exaustiva das consequências do pecado, mas fornece um panorama abrangente de como a desobediência a Deus e a ruína espiritual prejudicam a humanidade.
3 Há vezes que a culpa subjetiva está presente, mesmo não havendo culpa objetiva de acordo com a lei de Deus. Isto pode ser resultado de informação equivocada, conceitos sem embasamento promovidos pelos outros, ou até mesmo ideias fabricadas pela própria imaginação da pessoa. Há outros casos em que a culpa subjetiva está ausente e a objetiva presente. Isso pode indicar insensibilidade, indiferença ou até mesmo sociopatia em casos mais extremos. O ideal seria a presença da culpa subjetiva apenas quando a culpa objetiva se faz presente.
4 Paulo discorre sobre a depravação geral da humanidade em sua epístola aos Romanos no capítulo 1 (versículo 18 a 32).
5 Como exposto em João 3:3 logo acima.
6 Falaremos sobre o “nascer de novo” no capítulo 15.

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