A palavra “fé” ou,
“crença”, é apresentada nos textos bíblicos em, pelo menos,
duas situações que nos interessam por hora para entender o nosso
texto base:
1º:
Designando
uma crença pessoal, subjetiva, ou seja, o ato de assentir
(concordar, admitir) a uma determinada informação, confiar. Por
exemplo:
Romanos
4:3 Pois,
que diz a Escritura? Creu
Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.
|
Pode-se
notar então que crer ou ter fé em algo ou alguém envolve duas
coisas: (1) conhecer ou, entender alguma informação e (2) assentir,
aceitar a realidade,
ou, a verdade
dessa
informação, o que resulta em uma segurança interior1,
em relação à aceitação dessa mesma realidade, uma
certeza
(essa segurança é normalmente chamada de “confiança”).
Conta-se2
que certa vez um estudioso, que pretendia traduzir a Bíblia para o
idioma de uma tribo indígena brasileira, se deparou com uma grande
dificuldade: a língua escolhida para a tradução não tinha uma
palavra específica para “fé”. Ele acabou decidindo por traduzir
o termo pela mesma palavra que os índios usavam para “rede”,
pois aquela tribo específica tinha o costume de amarrar as suas
redes nas árvores para dormir, e era necessário que a rede fosse
bem firme e o nó bem-feito, caso contrário eles poderiam cair e
morrer. Ou seja, assim como eles depositavam a sua confiança na rede
para a sua segurança durante o sono, a fé seria a nossa confiança
em alguma informação que julgamos verdadeira, ou suficiente, na
qual, em certo sentido, nós “descansamos” tranquilamente, pois
temos uma segurança interior a respeito de sua veracidade. Mas ainda
há um segundo uso da palavra “fé” na Bíblia, que vai um
passo além do que já mencionamos:
2º:
Significando
um conjunto objetivo de fatos e/ou doutrinas, passível de ser crido,
como “a fé cristã”, “a fé judaica” etc. Por exemplo, na
epístola de Judas:
Judas
1:3
Amados,
procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da
salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos
a batalhar pela
fé que uma vez foi dada aos santos.
|
O
apelo da passagem de Judas 1:3 não se refere a batalhar pelo ato
subjetivo de crer em qualquer coisa, mas sim “pela fé que foi dada
aos santos”, ou seja, o corpo de fatos e doutrinas do cristianismo.
Vemos
então que,
fé
individual
(confiança subjetiva), pode ser aplicada sobre artigos
de fé objetivos,
como por exemplo, as
doutrinas
de alguma religião, princípios filosóficos, fatos simples do dia a
dia e até mesmo teorias científicas.
É
preciso ter clara a distinção entre esses dois usos do termo “fé”
no texto sagrado. No entanto, na Bíblia percebemos que o primeiro
uso do termo (fé subjetiva, confiança pessoal), quando relacionado
à salvação (como é o caso do texto base), sempre se refere a uma
fé aplicada sobre um corpo específico
de
fatos e doutrinas que
deve ser conhecido, para então ser crido. Em outras palavras, a fé
que resulta em salvação envolve: (1.) conhecer a mensagem do
Evangelho, e (2.) um assentimento por parte da pessoa a essa mensagem
especificamente3.
A Fé necessária à salvação no contexto da passagem é uma, tal
como veremos mais a frente4,
que nos é concedida pelo próprio Deus, para crer, ou confiar, na
mensagem do Evangelho (inclusive em suas implicações para as nossas
vidas), bem como permanecer crendo nela.
Vale
enfatizar que o texto base que estamos examinando é incisivo sobre a
importância de uma fé correta
a respeito da mensagem e doutrina cristã.
Muitas pessoas hoje apregoam:
“não importa no que você crê, contanto que seja sincero”, em
contrapartida o apóstolo Paulo condena severamente distorções.
Podemos conferir isso na epístola aos Coríntios e em outros
escritos também. Exemplo:
Gálatas
1:8
Mas,
ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro
evangelho
além
do que já vos tenho anunciado,
seja anátema5.
|
Vemos
então que a fé salvadora é a fé
na verdade,
a verdade relacionada a Jesus Cristo e sua obra de salvação. A fé
salvadora não “descansa” em falsidades, ou naquilo que julgamos
conveniente.
Resumo do Capítulo 2
|
1
Poderíamos dizer também segurança “psicológica”, no entanto
preferi não utilizar essa palavra porque popularmente ela é
associada à falsidade/irrealidade e a fé não é necessariamente
colocada sobre inverdades. É tanto possível crer em algo
verdadeiro quanto em mentiras ou falsidades.
2
Ouvi essa história de um pregador na
internet, mas não consegui encontrar a fonte para confirmar a sua
veracidade. De qualquer maneira, ainda que se trate apenas de uma
ilustração, eu a compartilho aqui apenas para ajudar na
compreensão do significado da palavra “fé”.
3
Isso é claro, inclui a relação dessa mensagem com a pessoa em
questão, mas falaremos mais a respeito disso na segunda parte do
livro.
4
Consulte o capítulo dezesseis.
Nenhum comentário:
Postar um comentário