terça-feira, 6 de junho de 2017

4. Quem é Deus

É necessário deixar claro que esse capítulo pretende fornecer apenas uma pequenina introdução à teologia de Deus e não pretende ser tão abrangente ou detalhado como gostaríamos. Para um aprofundamento recomenda-se o estudo de um bom livro de Teologia Sistemática.1
Há muito mais na Bíblia para ser estudado do que o que será apresentado aqui, mas para o propósito de contextualizar a mensagem do Evangelho, seguem algumas características de Deus conforme Ele as apresenta na Bíblia:
  1. Existente/Real:
Deus é um ser pessoal e distinto da criação. Ele não é obra da imaginação dos homens. Para os escritores bíblicos, a sua existência é uma realidade assumida e perceptível. Não há tentativa de “provar”2 a existência de Deus na Bíblia, apenas uma reprovação daqueles que nele não creem:
Salmos 53:1a Disse o néscio no seu coração: Não há Deus…3
  1. Criador:
Deus é o eterno (sem princípio nem fim) todo-poderoso criador e sustentador de tudo o que há, sem o qual nada do que existe teria vindo à existência e permanecido existente:
Apocalipse 4:11 Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas.
  1. Soberano:
Deus governa o universo e o dirige para onde bem entende. Ele tem poder sobre toda a criação e a move de acordo com os seus propósitos eternos:
Isaías 46:9-10 Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim. Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade.
  1. Santo:
Deus é perfeito e santo, ou seja, não tem nenhum defeito de ordem moral, o que seria impossível, considerando que é a sua própria natureza que estabelece o bem e o moralmente correto. Deus está separado de tudo o que é mau e não tolera a impureza.
I Samuel 2:2 Não há santo como o Senhor; porque não há outro fora de ti; e rocha nenhuma há como o nosso Deus.
Salmos 99:9 Exaltai ao Senhor nosso Deus e adorai-o no seu monte santo, pois o Senhor nosso Deus é santo.

  1. Exige Santidade:
Ele ordena ao seu povo que seja santo também4. Para isso ele estabelece leis e preceitos que, quando obedecidos, conduzem o seu povo à excelência na conduta moral. A pessoa do Espírito Santo (falaremos mais no próximo capítulo) está diretamente relacionada com a santificação (o processo de aperfeiçoamento moral) do povo de Deus.
Levítico 19:2 Fala a toda a congregação dos filhos de Israel, e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo.
I Pedro 1:15-16 Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo. 
  1. Justo:
Além de perfeito em santidade, Ele é perfeito em justiça e não tolera a impiedade e a perversão, tendo em vista o castigo dos maus. Para isso, preparou um dia em que há de julgar toda a obra da criação. Ou seja, Deus não somente preza pela excelência moral, como também se opõe a tudo o que é mau, àquilo que se desvia dos seus eternos padrões de santidade:
Salmos 119:137 Justo és, ó Senhor, e retos são os teus juízos.
Naum 1:3a O Senhor é tardio em irar-se, mas grande em poder, e ao culpado não tem por inocente…
Salmos 9:7-8 Mas o Senhor está assentado perpetuamente; já preparou o seu tribunal para julgar. Ele mesmo julgará o mundo com justiça; exercerá juízo sobre povos com retidão.
  1. Amoroso:
Sabemos também que Deus é amoroso5 e misericordioso, o que significa que Ele trata com bondade e abençoa os homens, muitas vezes perdoando os seus erros:
I João 4:8 Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor.
Neemias 9:31 Mas pela tua grande misericórdia os não destruíste nem desamparaste, porque és um Deus clemente e misericordioso.
Ainda consideraremos um outro atributo, ou característica do ser de Deus que merece uma atenção especial, trata-se da sua tri-unidade, que examinaremos no próximo capítulo.

Resumo do Capítulo 4:
  • Algumas características de Deus de acordo com a Bíblia:
    • Existente/Real (Sl 53:1)
    • Criador (Ap 4:11)
    • Soberano (Is 46:9-10)
    • Santo (I Sm 2:2; Sl 99:9)
    • Exige Santidade (Lv 19:2; I Pe 1:15-16)
    • Justo (Sl 119:137; Na 1:3a; Sl 9:7-8)
    • Amoroso (I Jo 4:8; Ne 9:31)

1 “Teologia Sistemática” seria o estudo de tópicos teológicos ordenados de maneira a levar em conta o todo do que a Bíblia tem a dizer sobre um determinado assunto. O autor Vincent Cheung disponibiliza a sua Teologia Sistemática” bem como todos os seus outros livros gratuitamente para download em seu website ( www.vincentcheung.com/library/ ) e alguns foram traduzidos para o português (com a autorização do autor) no website www.monergismo.com que mencionamos anteriormente, inclusive a “Teologia sistemática”:
www.monergismo.com/textos/livros/teologia_sistematica_completa_cheung.pdf. Se o leitor preferir, é também possível adquirir o livro físico, além de muitas outras boas obras cristãs no website da editora Monergismo ( www.editoramonergismo.com.br ). Também gostaríamos de indicar a, um tanto mais robusta, “Teologia Sistemática” de Wayne A. Grudem, que se encontra à venda em livrarias evangélicas, mas isso fica a critério do interessado. Caso se opte por outras obras do gênero, recomendamos a escolha de autores com uma linha de pensamento teológico reformado, ou “protestante”.
2 Há uma discussão muito interessante sobre a tentativa de “provar” (como em um experimento científico) a existência de Deus no excelente livro “Questões Últimas” do autor Vincent Cheung: http://www.monergismo.com/textos/livros/questoes_ultimas_livro_cheung.pdf )
3 “Néscio” é um sinônimo para “tolo”.
4 Uma leitura bíblica consistente vai poder notar que Deus tem padrões específicos de santidade, não relegando isso à opinião individual das suas criaturas, que infelizmente, distorcem esse conceito por conta de sua condição pecaminosa. (consulte o capítulo 6 para mais informações)
5 Essa é outra característica do ser de Deus que frequentemente é distorcida pelas pessoas. A concepção popular afirma que o atributo divino do amor exclui necessariamente a aplicação da justiça de Deus, o que passa longe do que a Bíblia ensina.

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