domingo, 28 de janeiro de 2018

14. Salvos Para o Quê? (Parte 2)


  V. A habitação do Espírito Santo no crente
A restauração da comunhão entre Deus e o seu povo não se limitou apenas a encerrar um estado de inimizade. Deus resolveu habitar1 nos seus filhos, como certa vez prometeu Jesus:

João 14:16-17 E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.

O apóstolo Paulo chega a dizer que o corpo dos cristãos é “templo do Espírito Santo”:

I Coríntios 6:19 Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?

Habitando no crente, o Espírito Santo opera nele visando o seu bem.

  1. A santificação
A obra do Espírito Santo no crente por sua vez inicia um processo de santificação, em que o crente é aperfeiçoado moralmente à semelhança de Jesus:

I Tessalonicenses 4:7 Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação.
I Pedro 1:2 Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas.

Esse aperfeiçoamento leva à prática de boas obras e o abandono das más, também chegando a mudar a própria forma de pensar do crente:

Efésios 2:10 Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.

Note que tudo isso costuma ser um processo gradual, envolvendo a busca consciente do crente por santidade2 através da leitura da Bíblia, da oração, da adoração etc, procurando sempre conformar sua vida aos padrões de Deus revelados em sua Palavra.

  1. Receber a ajuda sobrenatural de Deus
Por toda a Bíblia vemos o testemunho da manifestação do poder soberano de Deus agindo em favor do seu povo. O crente pode contar com auxílio em todas as questões e dificuldades da vida, através da oração e operações de milagres pelo Espírito Santo. Isso inclui cura de enfermidades e muitas outras bênçãos:

João 16:23-24 E naquele dia nada me perguntareis. Na verdade, na verdade vos digo que tudo quanto pedirdes a meu Pai, em meu nome, ele vo-lo há de dar. (24) Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis, para que o vosso gozo se cumpra.
Essa ajuda precisa ser solicitada com fé3:

Mateus 17:20 E Jesus lhes disse: Por causa de vossa incredulidade; porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e há de passar; e nada vos será impossível.

Muitas são as bênçãos de Deus para o seu povo! No entanto, para que tudo isso se torne uma realidade na vida de alguém, é necessário que haja uma transformação, o que será o tema do próximo capítulo.
Resumo do Capítulo 14
  • A salvação em Cristo garante, além da expiação e da justificação do povo de Deus, os seguintes benefícios para os crentes:
    1. A restauração da comunhão com Deus
(I Co 1:9; Rm 5:10)
    1. A liberdade da culpa do pecado
(Rm 8:1,33; Is 43:25; Is 44:22)
    1. A ressurreição final para a vida eterna
(I Co 15:26; I Co 6:14; I Ts 4:16-17)
    1. A adoção do crente por Deus
(Jo 1:12; I Jo 5:19; I Jo 3:1)
    1. A habitação do Espírito Santo no crente
(Jo 14:16-17; I Co 6:19)
    1. A santificação (I Ts 4:7; I Pedro 1:2; Ef 2:10)
    2. Receber a ajuda sobrenatural de Deus (Jo 16:23-24)
      • Que deve ser solicitada com fé
(Mt 17:20; Mc 4:36-41; Mt 13:58)

1 Por “habitação” não queremos dizer “ocupar espaço físico”, visto que Deus não é limitado por tempo e espaço como o são suas criaturas. A Bíblia não entra em muitos detalhes sobre a natureza dessa habitação. Há porém a garantia de sua realidade e uma ênfase nos seus efeitos. (segue no capítulo)
2 Ser santo na Bíblia significa literalmente estar “separado”, aqui nesse contexto, do que é mau, errado.
3 Existe um erro comum, de que devemos justificar nosso insucesso em alcançar alguma ajuda da parte de Deus, fazendo uso da doutrina da soberania divina. Embora seja verdade que Deus faz o que quer, quando quer e da maneira que quer, a Bíblia nos aconselha a abordar a questão observando a nossa fé nas diversas situações e não atribuindo alguma espécie de “culpa” a Deus. (conferir Marcos 4:36-41 e Mateus 13:58)

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