Em
outra carta escrita por Paulo, aos cristãos da cidade de Éfeso,
lemos o seguinte:
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Efésios
2:8-9
Porque
pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós,
é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie;
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O
que vemos nesses dois versículos é que a salvação é um presente
de Deus1.
A fé é o meio,
ou o instrumento pelo qual Deus salva as pessoas e ela sequer é
produzida por nós mesmos, mas ela nos é dada por Deus. Ou seja,
para receber a salvação, alguém deve depositar a sua fé na vida,
obra e ressurreição de Jesus e isso tudo, é um presente concedido
por Deus (inclusive a própria fé).
Ainda
no mesmo versículo, vemos também que as chamadas “boas obras”
(“caridades”, conduta moral etc.), que a crença popular associa
com a salvação eterna, são descartadas nesse contexto da salvação
e que somente a fé no Evangelho é necessária.2
A Bíblia deixa claro que
somente Cristo pode salvar e que não se deve acrescentar nada a
isso, sejam boas obras, seja frequência em uma instituição
religiosa ou qualquer coisa semelhante. De fato, em outra epístola
somos advertidos contra o perigo de fazê-lo:
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Gálatas
5:4
Separados
estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça
tendes caído.
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A
situação nesse versículo era a de que alguns judeus convertidos ao
cristianismo começaram a anunciar que os cristãos deveriam guardar
a lei de Moisés3
(no Velho Testamento) para se salvar. Isso iria totalmente contra a
pregação de Paulo, que dizia que a salvação não poderia ser
comprada com boa conduta, ou seguindo rigorosamente um código de
leis. Mesmo porque, a Bíblia testemunha que, (1) ninguém, a não
ser Jesus, obedeceu a lei perfeitamente e, (2) se pecamos em um ponto
da lei de Deus, somos culpados de ter desobedecido a todas as suas
leis:
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Tiago
2:10
Pois qualquer que guardar toda a lei, mas tropeçar em um só
ponto, tem-se tornado culpado de todos.
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No nosso caso, a lei de Deus,
da qual trataremos mais a frente, é, dentre outras coisas, (1) um
instrumento usado pelo Espírito Santo para convencer o pecador do
seu estado de rebelião contra Deus, bem como (2) um guia de conduta
para o cristão que já foi alcançado pela graça de Deus. Mas os 10
mandamentos não são, de forma alguma, uma maneira de comprar a
salvação por meio da obediência.
Resumindo, a fé salvadora é
um presente gratuito de Deus, e quando alguém a recebe, deixa de
confiar em suas boas obras, ou caráter, ou qualquer outra coisa para
se salvar. Essa pessoa passa a confiar total e exclusivamente na
expiação dos seus pecados feita por Jesus, em sua perfeita justiça
transferida a si por Deus e na comunhão com Deus através da pessoa
do Espírito Santo.
Resta ainda fazer um alerta
importante sobre a interpretação das Escrituras. Um erro muito
comum na leitura bíblica levou muitas pessoas, ao longo dos séculos,
a confundir dois conceitos distintos, a Lei e o Evangelho. E é sobre
isso que falaremos no capítulo seguinte.
Resumo do Capítulo 16
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1
“Graça” significa favor imerecido, benevolência.
2
As boas obras têm um papel de extrema importância na vida do
cristão. De fato, é esperado que ele as pratique segundo a
orientação do Espírito Santo e de sua Palavra (conforme exposto
no tópico VI do capítulo 14), mas elas definitivamente não tem
relação alguma com a justificação de alguém diante de Deus.
Apenas a obra de Cristo na cruz pode salvar, e a fé nessa obra é o
único meio estabelecido por Deus para que alguém
seja salvo.
3
Grande líder e libertador do povo de Israel no Velho Testamento. O
relato de sua trajetória se encontra nos livros de Êxodo,
Levítico, Números e Deuteronômio. Através dele, Deus conferiu um
corpo de leis para reger a conduta moral, religiosa e civil do povo
de Israel.
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